Cavalgadas, romarias e desfiles

Cavalo que morreu de exaustão depois de uma cavalgada em Ceres-GO.

Cavalo que morreu de exaustão depois de uma cavalgada em Ceres-GO.

Em romarias, desfiles que usam animais, cavalgadas e cavalhadas, os cavalos, mulas, jumentos e bois usados nesses eventos sofrem diversos tipos de maus-tratos, entre eles, chicotadas, esporadas, espancamento, desidratação por percorrem longos percursos sem interrupção para beberem água, exaustão, o que leva alguns dos animais a cairem de cansaço, desmairem e até morrerem, é também comum os cavaleiros estarem embriagados, sendo registrados casos em que eles fazem os animais consumirem bebida alcoólica e casos de animais que foram abandonados depois dos eventos.

 

 

 

cavalgadasAlguns cavalos, jumentos e mulas usados em cavalgadas, romarias, desfiles e cavalhadas são usados para carregar humanos nas costas, outros são usados para puxar veículos de tração.

Mulas e jumentos às vezes são usados também para carregar bruacas com carga, tendo que fazer muito esforço, muitas vezes caindo de exaustão durante o percurso. A questão das charretes que são usadas para passeios, e também são muitas vezes usadas em cavalgadas, romarias, cavalhadas e alguns desfiles, será abordada a parte, ainda neste texto, mas em sessão específica sobre o assunto.

 

Ferimento causado por espora.

Ferimento causado por espora.

As esporas são objetos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos cavaleiros, servindo para golpear o animal no baixo-ventre. Sem fundamento o argumento de que as esporas rombas (não pontiagudas) não causam danos físicos nos animais, pois visa-se golpear o animal e, portanto, com ou sem pontas, as esporas machucam o animal, normalmente provocando cortes na região cutânea e lesões mais profundas que não podem ser vistas a olho nu.

 

 

Foto de necropsia de cavalo mostrando hematomas causados por chicote.

Foto de necropsia de cavalo mostrando hematomas causados por chicote.

O chicote é causa de muitos ferimentos. A pele do cavalo, do jumento e da mula tem sua estrutura anatômica e fisiológica que é muito delicada e consiste de glândulas sudoríparas, os músculos da pele, vasos sanguíneos e nervos. É por isso que é extremamente sensível a lesões. Usando um chicote, mesmo sem uma grande força, se faz ferida na pele dos animais. Por causa da pigmentação e da pele esses hematomas são invisíveis ao olho, no entanto eles existem. Usar um chicote com uma força maior causa ferimentos graves — cortes e danos de tecidos mais profundos como fáscias, vasos sanguíneos e fibras musculares. A lesão também está relacionada com a umidade da pele e a pelagem dos animais. Cavalos, mulas e jumentos que estão cobertos de suor ou que estão tosados podem ser gravemente feridos, mesmo com o uso mais leve do chicote.

 

Bill Ellis Abundance

Os freios causam dor e lesões aos cavalos, jumentos e mulas. Os freios articulados são presos contra o palato, por isso muitos animais ao sentir essa dor imensa colocam a língua entre o freio, causando lesões na língua e, novamente, muitíssima dor.

Segundo estudos realizados pela Nevzorov Haute Ecole, um forte puxão no freio produz uma pressão de 300 kg / cm2, enquanto que uma pressão suave produz entre 80 e 150 kg / cm2.

Os animais que são feridos pelo freio, abrem a boca, fazendo gestos constantes de desconforto, mas quando eles mostram sintomas de dor são geralmente silenciados com um movimento mais apertado que fecha suas bocas silenciando sua dor e sua maneira de se expressarem.

 

Ferimentos causados na língua de um cavalo pelo freio.

Ferimentos causados na língua de um cavalo pelo freio.

Segundo Alexander Nevzorov em seu livro The Horse Crucified and Risen a baba grossa que sai da boca do animal ao usar o freio se deve ao fato de que há ressecamento na garganta do animal pois com o freio ele não consegue engolir saliva e que a baba grossa saindo da boca do animal indica que as glândulas parótidas estão lesadas. Ainda segundo Nevzorov a cervical e o sistema muscular do animal são lesados pelo puxão das rédeas.

Nevzorov explica que os freios se dividem em duas categorias os de ação trigeminal quando os ramos do nervo trigêmeo que passam ao longo dos ossos que formam a mandíbula inferior são escolhidos como principal ponto da inflição da dor e os de efeito dental pela qual as áreas dentais macias – as barras, os dentes (o primeiro e segundo pré-molares), língua, palato e gengivas são submetidos a uma influência dolorosa direta, isto é, à dor direta que atua sobre os nervos palatais menores, os ramos dos nervos maxilares, o nervo sublingual, os nervos alveolares e os nervos faciais.

 

 

maus_tratos_11Nevzorov explica que : “O freio com ação trigeminal é baseado mais na intimidação. Esse freio não causa uma dor cruel contínua, mas inflige somente, vez por vez , uma injeção curta dessa dor no cérebro e na consciência do animal”. Ele também explica que “O freio de hoje de modo algum se pode distinguir do ferro de séculos passados. A mesma peça bucal monolítica do freio é plantada no arco do palato do animal, nós ainda apertamos a mesma corrente que causa dolorosa paralisia com a pressão forte sobre o nervo trigêmeo.”

Nevzorov explica que o freio atua sobre o diastema, o espaço sem dentes das gengivas em vertebrados, pois é no diastema que está localizada a parte mais sensível do nervo trigêmeo e que nessa área não há uma camada submucosa que o possa proteger dos impactos da pressão do ferro. O nervo é super sensível. O ferro pressiona e impacta exatamente nesse ponto causando no cavalo uma dor aguda, queimante e paralisante.

Por serem os cavalos, jumentos e mulas animais tão grandes, acredita-se que não sofrem ao serem montados, mas de acordo com estudos de musculatura sob o ponto de vista fisiológico realizados pela Nevzorov Haute Ecole, após 12-15 minutos sendo montados a microcirculação da musculatura das costas é comprometida, após 20 minutos ela fica dormente e a partir de 25 minutos se produzem isquemias e ocorrem pequenas destruições de tecido muscular com consequente dor. O esforço que os animais têm que fazer em cavalgadas, desfiles, cavalhadas e romarias pode causar hemorragia pulmonar, úlcera e ataques cardíacos.

As ferraduras prejudicam a circulação sanguínea do animal pois o casco descalço dos cavalos, jumentos e mulas bombeia cerca de 4 litros de sangue a cada 20 passos, colaborando com o coração. Em um casco com ferradura essa função é reduzida em 75%.

Além disso a ranilha (zona córnea, macia e flexível localizada no interior do casco), funciona como um amortecedor cada vez que ela toca o chão. Ela absorve impactos protegendo as articulações, tendões e ligamentos. Com a ferradura, se impede o contato com o solo, deixando o casco praticamente sem amortecimento. Quando os cascos estão com ferraduras, se limita suas funções sacrificando o bem estar do cavalo.

A ferragem também significa que se insiram pregos nos cascos, que enfraquecem a estrutura e podem causar a separação das lâminas, causando dor e, com o passar do tempo, insensibilidade. Além disso, abrem espaço para bactérias e possíveis infecções.

A sela restringe o fluxo sanguíneo do animal. Barrigueiras, cilhas, recuadeiras e coalheiras podem causar ferimentos aos animais.

nose_ring_2Os bois explorados em romarias e desfiles, são explorados para puxar carros de boi e algumas vezes também para carregar humanos nas costas. No caso de bois que são montados, para que eles possam ser conduzidos, é inserida uma argola que perfura o septo nasal deles, toda vez que o humano montado em suas costas puxa a argola, o boi faz o que o humano quer devido a dor que esta lhe causa.

 

 

 

romariaAssim como os cavalos, jumentos e mulas, os bois que têm que carregar humanos nas costas, são agredidos com esporas, às vezes também com chicotes, podem também ser vítimas de espancamento, exaustão de desidratação.

Aqueles que são explorados para puxar carros de boi também sofrem, tendo que fazer esforço para puxar os carros, muitas vezes por grandes percursos, sem beber água e muitas vezes quando estão exaustos ou feridos ainda são forçados a continuar puxando os carros. Às vezes ainda é colocada algum tipo de carga nos carros, exigindo ainda mais esforço dos bois para puxá-los.

 

 

 

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Boi forçado a carregar carro mesmo depois de ferido em um desfile em Morrinhos

Charretes e carroças

charretepetropolis2Os animais usados para puxar charretes e carroças, além de sofrerem com os freios e serem chicoteados, ainda têm que enfrentar outros tipos de sofrimento. Eles são forçados a trabalhar o dia todo, sem descanso, sem comida e sem água, sob sol e chuva e correm o risco de sofrerem acidentes de trânsito.

A maioria dos animais explorados para puxar carroças e charretes não recebe nenhum atendimento veterinário e são obrigados a trabalhar mesmo doentes e famintos. Muitas vezes são espancados.

No trânsito, são conduzidos por vias de movimento, horários de pico, sujeitos a inúmeros acidentes.

Ferimentos causados por cilha, recuadeira e coalheira.

Ferimentos causados por cilha, recuadeira e coalheira.

Quando não servem mais para puxar veículos por já terem sofrido muitas lesões ou estarem velhos, são abandonados e acabam sendo atropelados ou morrem de fome e sede. Alguns são vendidos para matadouros.

As cilhas, coalheiras e recuadeiras, que são arreios usados em animais que puxam charretes ou carroças podem causar ferimentos aos animais.

É comum animais usados para puxar charretes e carroças terem atrite e sofrerem danos nas juntas, vários tipo de lesões, caírem, desmaiarem ou até mesmo morrerem por causa de exaustão.

Devido ao fato dos animais usados para puxar charretes e carroças estarem constantemente expostos a fumaça de veículos motorizados, eles têm problemas respiratórios e ao longo do tempo seus pulmões são danificados.

 

 

Cicatrizes causadas por cabeçada.

Cicatrizes causadas por cabeçada.

Os animais são equipados com um cabeçada em torno de suas cabeças que é presa de forma muito apertada para induzir a dor de modo que o animal não sacuda a sua cabeça ou saia do curso. Isso causa ferimentos e cicatrizes no animal.

As charretes e carroças também causam lesões e inflamação nas costas e no pescoço dos animais. O esforço que os animais têm que fazer para puxar veículos de tração pode causar hemorragia pulmonar, úlcera e ataques cardíacos.

 

 

 

 

 

 

Fontes:

The horse crucified and risen de Alexander Nevzorov: http://www.livrariacultura.com.br/p/horse-crucified-and-risen-30677162
Obs: Alexander Nevzorov aparece montando um cavalo na capa do livro pois a foto foi tirada na época ele ainda não sabia que isto causava danos aos cavalos, quando começou a fazer pesquisas Nevzorov primeiramente ficou sabendo dos danos que os freios causam e por isso começou a montar sem freios ao saber que mesmo sem freios os cavalos ainda sofrem danos ao serem montados ele parou de montar. Nevzorov não treina mais cavalos em sua escola ao invés disso ele e sua esposa agora ensinam anatomia, fisiologia e como cuidar de cavalos e ter uma covivência harmoniosa com eles, Nevzorov não é mais a favor de reproduzir cavalos em cativeiro, ele acredita que a geração atual de cavalos devem ter vidas tranquilas e protegidas e que as próximas gerações de cavalos selvagens nascida deve continuar a viver como a natureza pretende.
http://ourhorsescommunity.blogspot.com.br/2012/03/update-from-nevzorovs.html
http://www.haute-ecole.ru/school/lofiversion/index.php/t15202.html)
http://odeiorodeio.com/site/a-verdade-sobre-o-rodeio/#ferramentas
http://www.wolnekonie.org/science_en_wroblewski.html
http://www.ethicalmagazine.org/el-caballo-tan-sensible-como-aparenta-por-maria-gonzalez-sola/
http://www.pea.org.br/crueldade/tracao/index.htm
http://www.onegreenplanet.org/animalsandnature/nyc-horse-drawn-carriages-the-worst-tourist-attraction-in-the-greatest-city/

 

 

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