Corridas de cavalos 7Durante anos, os cavalos explorados em corridas foram reproduzidos para correr rápido. Como resultado, puros-sangues usados em corridas de cavalos têm esqueletos de grandes dimensões e pernas subdimensionadas. Elas são tão frágeis que as lesões são comuns. Além disso, a consanguinidade causa defeitos genéticos entre os cavalos de corrida.

 

 

Foto mostrando úlcera e hemorragia pulmonar em um cavalo usado em competições.

Foto mostrando úlcera e hemorragia pulmonar em um cavalo usado em competições.

Mesmo a velocidade típica de corridas é destrutiva para os membros de um cavalo, e também leva a hemorragia pulmonar induzida por exercício e obstrução da respiração. O esforço que os cavalos têm que fazer em corridas também podem causar úlceras e ataque cardíaco. Na maioria das vezes os cavalos não morrem na pista devido à hemorragia pulmonar, eles morrem horas depois longe dos olhos do público.

Um estudo feito pela Universidade de Melbourne constatou que 50% dos cavalos de corrida tinham sangue na traqueia, e 90% tinham sangue em regiões mais profundas nos pulmões.

Alexander Nevzorov explica que: “A velocidade das corridas de cavalos são fatais para um cavalo. Cada cavalo tem leis de auto-regulação biológicas e fisiológicas, que sempre reduzem a velocidade ou mesmo param o cavalo.”

Égua que fraturou a pata em uma corrida e foi sacrificada em São José do Jacuípe.

Égua que fraturou a pata em uma corrida e foi sacrificada em São José do Jacuípe.

Assim como ocorre em outros “esportes” em que cavalos são usados sempre existe o risco dos cavalos sofrerem fraturas e se um cavalo fratura a pata ele é sacrificado, além disso o cavalo pode fraturar o pescoço ou a coluna resultando em sua morte ou o fazendo ficar tetraplégico e ser sacrificado, a maioria dos cavalos quando não serve mais para serem usados em competições são vendidos para matadouros. Os cavalos são frequentemente obrigados a competir a partir dos dois anos de idade. Como nesta idade os seus ossos ainda não estão totalmente desenvolvidos, as lesões se tornam mais comuns. Além disso, muitos são forçados a correr com tanta frequência que suas articulações e ossos se deterioram.

A alimentação de dietas de altamente concentradas (grãos) com a qual cavalos explorados em corridas são alimentados durante o treinamento, ao invés de pasto, muitas vezes leva a úlceras gástricas. Um estudo sobre cavalos de corrida constatou que 89% tinham úlceras estomacais.

Durante o treino e na competição, cavalos de todas as idades podem sofrer lesões musculoesqueléticas dolorosas, como ligamentos e tendões rompidos, articulações deslocadas e até mesmo ossos fraturados.

Ferimento causado por espora.

Ferimento causado por espora.

Nas corridas de cavalos são usadas esporas, chicote, freio e ferraduras. As esporas são objetos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos competidores, servindo para golpear o animal no baixo-ventre. Sem fundamento o argumento de que as esporas rombas (não pontiagudas) não causam danos físicos nos animais, pois visa-se golpear o animal e, portanto, com ou sem pontas, as esporas machucam o animal, normalmente provocando cortes na região cutânea e lesões na musculatura que não podem ser vistas a olho nu.

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Necropsia de cavalo mostrando hematomas causados por chicote.

O chicote é causa de muitos ferimentos. A pele do cavalo tem sua estrutura anatômica e fisiológica que é muito delicada e consiste de glândulas sudoríparas, os músculos da pele, vasos sanguíneos e nervos. É por isso que é extremamente sensível a lesões. Usando um chicote, mesmo sem uma grande força, se faz ferida na pele do cavalo. Por causa da pigmentação e da pele esses hematomas são invisíveis ao olho, no entanto eles existem. Usar um chicote com uma força maior causa ferimentos graves — cortes e danos de tecidos mais profundos como fáscias, vasos sanguíneos e fibras musculares. A lesão também está relacionada com a umidade da pele e a pelagem de cavalos. Cavalos que estão cobertos de suor ou que estão tosados podem ser gravemente feridos, mesmo com o uso mais leve do chicote.

Os freios causam dor e lesões aos cavalos. Os freios articulados são presos contra o palato, por isso muitos cavalos ao sentir essa dor imensa colocam a língua entre o freio, causando lesões na língua e, novamente, muitíssima dor.
Segundo estudos realizados pela Nevzorov Haute Ecole, um forte puxão no freio produz uma pressão de 300 kg / cm2, enquanto que uma pressão suave produz entre 80 e 150 kg / cm2.

0Os cavalos que são feridos pelo freio, abrem a boca, fazendo gestos constantes de desconforto, mas quando eles mostram sintomas de dor são geralmente silenciados com um movimento mais apertado que fecha suas bocas silenciando sua dor e sua maneira de se expressarem.

Segundo Alexander Nevzorov em seu livro “The Horse Crucified and Risen” a baba grossa que sai da boca do cavalo ao usar o freio se deve ao fato de que há ressecamento na garganta do cavalo pois com o freio ele não consegue engolir saliva e que a baba grossa saindo da boca do animal indica que as glândulas parótidas estão lesadas. Ainda segundo Nevzorov a cervical e o sistema muscular do cavalo são lesados pelo puxão das rédeas.

Nevzorov explica que os freios se dividem em duas categorias os de ação trigeminal quando os ramos do nervo trigêmeo que passam ao longo dos ossos que formam a mandíbula inferior são escolhidos como principal ponto da inflição da dor e os de efeito dental pela qual as áreas dentais macias – as barras, os dentes (o primeiro e segundo premolares), língua, palato e gengivas são submetidos a uma influência dolorosa direta, isto é, à dor direta que atua sobre os nervos palatais menores, os ramos dos nervos maxilares, o nervo sublingual, os nervos alveolares e os nervos faciais.

 Nevzorov explica que : “O freio com ação trigeminal é baseado mais na intimidação. O cavalo, sendo uma criatura de fenomenal inteligência, vai sempre se lembrar do tipo de mina plantada em sua boca pelo homem. Esse freio não causa uma dor cruel contínua, mas inflige somente, vez por vez , uma injeção curta dessa dor no cérebro e na consciência do cavalo”. Ele também explica que “O freio de hoje de modo algum se pode distinguir do ferro de séculos passados. A mesma peça bucal monolítica do freio é plantada no arco do palato do cavalo, nós ainda apertamos a mesma corrente que causa dolorosa paralisia com a pressão forte sobre o nervo trigêmeo.”

Ferimento causado na língua de um cavalo pelo freio.

Ferimentos causados na língua de um cavalo pelo freio.

Segundo Nevzorov “O cavalo, para sua infelicidade, foi criado de tal modo que ele pode disfarçar qualquer dor, exceto a mais insuportável, até o fim, sem demonstrá-la de modo algum, e esforçando-se por não apresentar qualquer mudança em seu comportamento externo. E que “Disfarçar um mal é um dos seus instintos mais profundos e primitivos, que não desapareceu completamente nos milênios da assim chamada doma.” Ele explica que o cavalo tem esse instinto pois na natureza ao demonstrar dor, fraqueza ou uma enfermidade ele se condena a ser devorado por predadores ou a ser rebaixado na escala hierárquica do seu rebanho.

Nevzorov explica que o freio atua sobre o diastema, o espaço sem dentes das gengivas em vertebrados, pois é no diastema que está localizada a parte mais sensível do nervo trigêmeo e que nessa área não há uma camada submucosa que o possa proteger dos impactos da pressão do ferro. O nervo é super sensível. O ferro pressiona e impacta exatamente nesse ponto causando no cavalo uma dor aguda, queimante e paralisante.

Um experimento científico realizado pelo Dr. Robert Cook provou que o freio é a causa de mais de 200 problemas comportamentais em cavalos que são montados ou cavalos usados para tração. E que ele é também a causa de 40 diferentes doenças.

As ferraduras prejudicam a circulação sanguínea do cavalo pois o casco descalço do cavalo bombeia cerca de 4 litros de sangue a cada 20 passos, colaborando com o coração. Em um casco com ferradura essa função é reduzida em 75%.

 Além disso a ranilha (zona córnea, macia e flexível localizada no interior do casco), funciona como um amortecedor cada vez que ela toca o chão. Ela absorve impactos protegendo as articulações, tendões e ligamentos. Com a ferradura, se impede o contato com o solo, deixando o casco praticamente sem amortecimento. Quando os cascos estão com ferraduras, se limita suas funções sacrificando o bem estar do cavalo.

A ferragem também significa que se insiram pregos nos cascos, que enfraquecem a estrutura e podem causar a separação das lâminas, causando dor e, com o passar do tempo, insensibilidade. Além disso, abrem espaço para bactérias e possíveis infecções. Apenas o peso da ferradura (650 gr por casco) limita a flexão do cavalo a cada passo danificando ligamentos e tendões.

Exame de termografia mostrando inflamação nas costas de um cavalo devido a monta.

Exame de termografia mostrando inflamação nas costas de um cavalo devido a monta.

Por ser o cavalo um animal tão grande, acredita-se que não sofrem ao serem montados, mas de acordo com estudos de musculatura sob o ponto de vista fisiológico realizados pela Nevzorov Haute Ecole, após 12-15 minutos sendo montados a microcirculação da musculatura das costas é comprometida, após 20 minutos ela fica dormente e a partir de 25 minutos se produzem isquemias e ocorrem pequenas destruições de tecido muscular com consequente dor.

Um estudo feito pela Dra Lydia Tong indica que cavalos podem sentir mais dor do que humanos. O estudo demonstra que os cavalos têm uma camada superior de pele mais fina com mais terminações nervosas e fibras sensoriais que os humanos.

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Foto mostrando a espessura da epiderme de um cavalo e um humano, respectivamente, a epiderme do cavalo é mais fina do que do humano.

Dos “seletos” grupos de cavalos usados em corridas de cavalos, apenas uma minoria é selecionada. Se as lesões não marcaram suas vidas significando seu sacrifício, e para ter o maior lucro possível, tornam-se garanhões ou reprodutores, montando éguas que são usadas como máquinas de reprodução, com gestações constantes e cujos partos quase não conseguem suportar, para dar à luz a um potro que depois será vendido. Alguns são também usados em corridas de obstáculos quando não podem mais ser usados em corridas de turfe, enduro equestre e outros tipos de corridas.

Os garanhões e as éguas reprodutoras são tratados como meras máquinas de gerar dinheiro. Os garanhões ficam confinados em baias ou em cercados individuais sem a companhia de outros cavalos, só entrando em contato com as fêmeas que os criadores de cavalos querem que se acasalem com eles e somente no momento do acasalamento, a vida deles é uma vida de solidão. Os garanhões muitas vezes são prostituídos para outros haras, os haras leiloam coberturas dos machos e eles são transportados até outros haras para acasalar com fêmeas reprodutoras e depois são transportados de volta ao haras de origem, todos esse transporte gera estresse ao animal. Muitos garanhões têm uma morte prematura devido ao confinamento e a todo o estresse que têm que suportar.

As éguas reprodutoras não têm nem mesmo a opção de escolher se querem se acasalar com o macho pois suas pernas são amarradas para que elas não possam rejeitá-lo. Elas tem seus filhos retirados de si depois de 7 dias, eles serão amamentados por outra fêmea, para que ela entre novamente no cio e engravide novamente, em alguns casos os embriões são retirados e vendidos para serem colocados no útero de outra fêmea, assim a fêmea que gerou o embrião entra no cio novamente e logo fica grávida novamente. Isso causa um desgaste enorme para as éguas reprodutoras. As éguas também são prostituídas para outros haras, os criadores de cavalos leiloam o ventre nas éguas para acasalarem com garanhões de outros haras. Muitas vezes os criadores controlam a ovulação das fêmeas por meio de luz artificial e hormônios para que elas possam reproduzir mais vezes. Muitas éguas adoecem e morrem por causa do desgaste de estarem constantemente grávidas. Os potros passam por uma seleção, aqueles que não forem bem sucedidos em nas provas são vendidos para matadouros. Os animais que não são selecionados para serem reprodutores quando não servem mais para serem usados em competições também são vendidos para matadouros.

É certo que quando atingem um ponto em que já não podem ser úteis para competição nem para reprodução, a grande maioria é destinada ao abate, embora não seja o pior destino possível, uma vez que existem outros como puxar veículos de tração, mesmo que pelas condições destes cavalos eles não são geralmente utilizados para isto.

Corrida de cavalos 2Corridas com obstáculos é um dos destinos para cavalos que não podem mais ser usados em outros tipos de corridas. Estatísticas de muitos anos têm mostrado que corridas com obstáculos são ainda mais perigosa e prejudiciais para os cavalos, com até 20 vezes mais mortes do que as corridas planas. Isto não é surpreendente quando você tem um grupo de cavalos sendo forçados a saltar uma série de obstáculos de um metro de altura juntos em velocidade.

Além disso, as corridas com obstáculos geralmente duram muito mais tempo, e os jóqueis pode ser mais pesados. Cavalos cansados têm um risco maior de queda. As lesões que ocorrem quando os cavalos caem ao saltar os obstáculos podem ser bastante horríveis.

Jockeys Robert Johnson, right and Travis Seekman fall to the ground during a crash with their horses Lady with Weapon, left and Riviera, in background. Both riders and horses luckily weren't injured in the race. No caso das corridas de sulky, os cavalos estão sujeitos a sofrer as mesmas lesões do que em outras formas de corridas de cavalos planas. São usados os mesmos instrumentos usados em corridas planas com excessão da espora e da sela pois como é uma prova onde o cavalo tem que correr puxando um veículo de tração com o competidor dentro deste veículo o chicoteando e lhe causando dor através das rédeas e do freio é então usado arreios próprios para veículos de tração (cilhas, coalheira e recuadeira) que podem causar lesões no cavalo. O cavalo sofre danos na musculatura por ter que puxar o sulky com o cavaleiro dentro da mesma forma que sofreria se o cavaleiro estivesse montado em suas costas.

Os cavalos explorados em corridas muitas vezes são forçados a se tornar dependente de drogas que seus veterinários e treinadores lhes dão. Enquanto os medicamentos podem aliviar sintomas, como sangramento e dor, eles não tratam os problemas subjacentes. Em vez disso, eles são usados para fazer os cavalos que estão muito lesionados para correr continuarem correndo. Drogas lícitas também são utilizadas para mascarar a presença de drogas ilegais injectadas nos cavalos.

Ferimento causado por barrigueira.

Ferimento causado por barrigueira.

Outros instrumentos usados na corridas de cavalos que podem causar danos aos cavalos são:

Barrigueira:
Pode causar ferimentos ao cavalo.

Sela:
Restringe o fluxo sanguíneo do cavalo.

Além de tudo isso a partir do momento que alguém usa um animal seja para o que for e/ou coloca um preço na vida dele e/ou ganha dinheiro as custa dele, como é feito nas corridas de cavalos, é exploração animal e exploração animal tem que ser abolida. Os animais não existem para nos servir e eles não são mercadorias. Em esportes de verdade ambas as partes aceitam participar, o cavalo não aceitou participar de nenhum esporte, portanto a exploração de cavalos e outros animais não poderia nem mesmo ser considerada como esporte.



 ”Naturalmente, nem fisiologicamente, nem anatomicamente, nem psicologicamente um único cavalo desejou ter alguém sentado em sua coluna vertebral e medula espinhal cerebral para perturbar a biomecânica natural de seus movimentos, seu equilíbrio orgânico natural e sensação de liberdade. ” -Alexander Nevzorov

Fontes:
http://www.animalsaustralia.org/issues/horse_racing.php
http://lcanimal.org/index.php/campaigns/animals-in-entertainment/horse-racing
http://riddenfortheribbon.blogspot.com.br/2015/06/thoughts-on-racing.html
http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/faces-da-exploracao/entretenimento/corridas.html
The horse crucified and risen de Alexander Nevzorov: http://www.livrariacultura.com.br/p/horse-crucified-and-risen-30677162
 http://ourhorsescommunity.blogspot.com.br/2012/03/update-from-nevzorovs.html
http://www.haute-ecole.ru/school/lofiversion/index.php/t15202.html)
http://www.wolnekonie.org/science_en_wroblewski.html
http://www.horsefund.org/horse-racing-breeding-by-the-numbers-part-2.php
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3922780/

Obs: Alexander Nevzorov aparece montando um cavalo na capa do livro pois a foto foi tirada na época ele ainda não sabia que isto causava danos aos cavalos, quando começou a fazer pesquisas Nevzorov primeiramente ficou sabendo dos danos que os freios causam e por isso começou a montar sem freios ao saber que mesmo sem freios os cavalos ainda sofrem danos ao serem montados ele parou de montar. Nevzorov não treina mais cavalos em sua escola ao invés disso ele e sua esposa agora ensinam anatomia, fisiologia e como cuidar de cavalos e ter uma covivência harmoniosa com eles, Nevzorov não é mais a favor de reproduzir cavalos em cativeiro, ele acredita que a geração atual de cavalos devem ter vidas tranquilas e protegidas e que as próximas gerações de cavalos selvagens nascida deve continuar a viver como a natureza pretende.

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