rédeasO freio de ouro é uma competição de rodeio crioulo, na qual são feitas apostas, assim como nas corridas de cavalos, com etapas em várias cidades do Brasil. Consiste em provas das seguintes modalidades: andadura, prova de rédeas, prova da mangueira, paleteada e prova Bayard-Sarmento.

Em todas as modalidades do freio de ouro, os cavalos são chicoteados, levam esporadas, levam trancos do freio na boca, têm que carregar humanos nas costas, são forçados a fazer movimentos que lhes causam lesões e que não lhes são naturais e a fazer esforços que estão além de suas capacidades, como por exemplo, correr em alta velocidade.

Exame de termografia mostrando inflamação nas costas de um cavalo devido a monta.

Exame de termografia mostrando inflamação nas costas de um cavalo devido a monta.

Por ser o cavalo um animal tão grande, acredita-se que não sofrem ao serem montados, mas de acordo com estudos de musculatura sob o ponto de vista fisiológico realizados pela Nevzorov Haute Ecole, após 12-15 minutos sendo montados a microcirculação da musculatura das costas é comprometida, após 20 minutos ela fica dormente e a partir de 25 minutos se produzem isquemias e ocorrem pequenas destruições de tecido muscular com consequente dor.

Um estudo feito pela Dra Lydia Tong indica que cavalos podem sentir mais dor do que humanos. O estudo demonstra que os cavalos têm uma camada superior de pele mais fina com mais terminações nervosas e fibras sensoriais que os humanos.

 

 

Ferimentos causados na língua de um cavalo pelo freio.

Ferimentos causados na língua de um cavalo pelo freio.

Os freios causam dor e lesões aos cavalos. Os freios articulados são presos contra o palato, por isso muitos cavalos ao sentir essa dor imensa colocam a língua entre o freio, causando lesões na língua e, novamente, muitíssima dor.

Segundo estudos realizados pela Nevzorov Haute Ecole, um forte puxão no freio produz uma pressão de 300 kg / cm2, enquanto que uma pressão suave produz entre 80 e 150 kg / cm2.

Os cavalos que são feridos pelo freio, abrem a boca, fazendo gestos constantes de desconforto, mas quando eles mostram sintomas de dor são geralmente silenciados com um movimento mais apertado que fecha suas bocas silenciando sua dor e sua maneira de se expressarem.

Segundo Alexander Nevzorov em seu livro The Horse Crucified and Risen a baba grossa que sai da boca do cavalo ao usar o freio se deve ao fato de que há ressecamento na garganta do cavalo pois com o freio ele não consegue engolir saliva e que a baba grossa saindo da boca do animal indica que as glândulas parótidas estão lesadas. Ainda segundo Nevzorov a cervical e o sistema muscular do cavalo são lesados pelo puxão das rédeas.

 

freio-de-ouro-4Nevzorov explica que os freios se dividem em duas categorias os de ação trigeminal quando os ramos do nervo trigêmeo que passam ao longo dos ossos que formam a mandíbula inferior são escolhidos como principal ponto da inflição da dor e os de efeito dental pela qual as áreas dentais macias – as barras, os dentes (o primeiro e segundo pré-molares), língua, palato e gengivas são submetidos a uma influência dolorosa direta, isto é, à dor direta que atua sobre os nervos palatais menores, os ramos dos nervos maxilares, o nervo sublingual, os nervos alveolares e os nervos faciais.

 

1426515726532Nevzorov explica que : “O freio com ação trigeminal é baseado mais na intimidação. O cavalo, sendo uma criatura de fenomenal inteligência, vai sempre se lembrar do tipo de mina plantada em sua boca pelo homem. Esse freio não causa uma dor cruel contínua, mas inflige somente, vez por vez , uma injeção curta dessa dor no cérebro e na consciência do cavalo”. Ele também explica que “O freio de hoje de modo algum se pode distinguir do ferro de séculos passados. A mesma peça bucal monolítica do freio é plantada no arco do palato do cavalo, nós ainda apertamos a mesma corrente que causa dolorosa paralisia com a pressão forte sobre o nervo trigêmeo.”

Segundo Nevzorov “O cavalo, para sua infelicidade, foi criado de tal modo que ele pode disfarçar qualquer dor, exceto a mais insuportável, até o fim, sem demonstrá-la de modo algum, e esforçando-se por não apresentar qualquer mudança em seu comportamento externo. E que “Disfarçar um mal é um dos seus instintos mais profundos e primitivos, que não desapareceu completamente nos milênios da assim chamada doma.” Ele explica que o cavalo tem esse instinto pois na natureza ao demonstrar dor, fraqueza ou uma enfermidade ele se condena a ser devorado por predadores ou a ser rebaixado na escala hierárquica do seu rebanho.

Nevzorov explica que o freio atua sobre o diastema, o espaço sem dentes das gengivas em vertebrados, pois é no diastema que está localizada a parte mais sensível do nervo trigêmeo e que nessa área não há uma camada submucosa que o possa proteger dos impactos da pressão do ferro. O nervo é super sensível. O ferro pressiona e impacta exatamente nesse ponto causando no cavalo uma dor aguda, queimante e paralisante.

Um experimento científico realizado pelo Dr. Robert Cook provou que o freio é a causa de mais de 200 problemas comportamentais em cavalos que são montados ou cavalos usados para tração. E que ele é também a causa de 40 diferentes doenças.

Ferimento causado por espora.

Ferimento causado por espora.

As esporas são objetos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos competidores, servindo para golpear o animal no baixo-ventre. Sem fundamento o argumento de que as esporas rombas (não pontiagudas) não causam danos físicos nos animais, pois visa-se golpear o animal e, portanto, com ou sem pontas, as esporas machucam o animal, normalmente provocando cortes na região cutânea e lesões musculares mais profundas que não podem ser vistas a olho nu.

 

 

Foto de necropsia de cavalo mostrando hematomas causados por chicote.

Foto de necropsia de cavalo mostrando hematomas causados por chicote.

O chicote é causa de muitos ferimentos. A pele do cavalo tem sua estrutura anatômica e fisiológica que é muito delicada e consiste de glândulas sudoríparas, os músculos da pele, vasos sanguíneos e nervos. É por isso que é extremamente sensível a lesões. Usando um chicote, mesmo sem uma grande força, se faz ferida na pele do cavalo.

 

 

 

 

131962_8055831165Por causa da pigmentação e da pele esses hematomas são invisíveis ao olho, no entanto eles existem. Usar um chicote com uma força maior causa ferimentos graves — cortes e danos de tecidos mais profundos como fáscias, vasos sanguíneos e fibras musculares. A lesão também está relacionada com a umidade da pele e a pelagem de cavalos. Cavalos que estão cobertos de suor ou que estão tosados podem ser gravemente feridos, mesmo com o uso mais leve do chicote.

As barrigueiras podem causar ferimentos ao cavalo e a sela restringe o fluxo sanguíneo do cavalo.

As ferraduras prejudicam a circulação sanguínea do cavalo pois o casco descalço do cavalo bombeia cerca de 4 litros de sangue a cada 20 passos, colaborando com o coração. Em um casco com ferradura essa função é reduzida em 75%.

Além disso a ranilha (zona córnea, macia e flexível localizada no interior do casco), funciona como um amortecedor cada vez que ela toca o chão. Ela absorve impactos protegendo as articulações, tendões e ligamentos. Com a ferradura, se impede o contato com o solo, deixando o casco praticamente sem amortecimento. Quando os cascos estão com ferraduras, se limita suas funções sacrificando o bem estar do cavalo.

Freio-de-Ouro-Argentina-2014-Golilla-Guasito-Crédito-Fagner-AlmeidaNa prova de andadura, o cavalo é forçado a andar de três modos diferentes: tranco, trote e galope.

A prova de rédeas consiste em fazer o cavalo realizar vários movimentos anti-naturais como troca de mãos e patas, volta sobre patas, na qual o ginete (peão) leva o cavalo faz o cavalo girar sobre o próprio corpo 360 graus para um lado e em seguida para o outro e esbarrada, na qual o ginete acelera o cavalo por uma distância de 20 metros e em seguida o faz frear bruscamente, fazendo com que ele se apóie sobre os posteriores,  seguir, o ginete forço o cavalo a repetir o movimento em sentido contrário.

Foto mostrando úlcera e hemorragia pulmonar em um cavalo usado em competições.

Foto mostrando úlcera e hemorragia pulmonar em um cavalo usado em competições.

Na prova Bayard-Sarmento, o cavalo é forçado a arrancar em velocidade, percorrer 40 metros, esbarrar, fazer a volta sobre as patas para um lado e para outro de uma a três vezes, voltar a correr 40 metros, e esbarrar novamente. Depois é forçado a girar 180 graus, correr mais 40 metros e repetir a esbarrada. Por fim ele é forçado a fazer a volta sobre patas para ambos os lados, correr mais 40 metros e fazer a última esbarrada.

Forçar cavalos a fazer tais movimentos causa a eles lesões como inflamação das costas, inflamação e lesão do ligamento suspensor, dos joelhos e do jarrete, artrite e inflamação do tarso distal. O esforço que o cavalo tem que fazer em competições pode causar hemorragia pulmonar, úlcera de estresse e ataque cardíaco.

 

Prova da mangueiraO freio de ouro além de causar sofrimento a equinos ainda causa sofrimento também a bovinos, pois na prova da mangueira e na paleteada, além de serem explorados cavalos, também são explorados novilhos.

Na prova da mangueira dois competidores perseguem novilhos e fazem o cavalo empurrar os novilhos com o peito que são arremesados contra as laterais da mangueira.

 

 

gde_699a9e3d6255b1b7ee6979b5be4449a6Na paleteada dois competidores perseguem um novilho e o prensam entre os dois cavalos.

Na prova da mangueira e na paleteada os novilhos podem sofrer fraturas e hemorragias internas. O novilho é um animal do rebanho,então ser perseguido é aterrorizante, isso causa sofrimento psicológico ao animal.

Assim como em qualquer outra prova em que animais são explorados, no freio de ouro os animais não escolheram participar, assim não pode nem mesmo ser considerado um esporte.

 

 

 

Fontes:

The horse crucified and risen de Alexander Nevzorov: http://www.livrariacultura.com.br/p/horse-crucified-and-risen-30677162
http://www.haute-ecole.ru/school/lofiversion/index.php/t15202.html)
http://www.wolnekonie.org/science_en_wroblewski.html
http://issuu.com/nevzorovhauteecole/docs/atlas?e=1606737%2F4036489

http://www.ethicalmagazine.org/el-caballo-tan-sensible-como-aparenta-por-maria-gonzalez-sola/
http://ourhorses.org/horse-training/horses-may-feel-more-pain-than-humans/

http://blog.animallibre.org/post/62542351142/deporte

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