Instrumentos usados em provas de montaria:

Sedém
SedémEspécie de cinta, de crina ou lã, que se amarra na virilha do animal e que faz com que ele pule. Momentos antes de o brete ser aberto para que o animal entre na arena, o sedém é puxado com força, comprimindo ainda mais a região dos vazios dos animais, provocando muita dor, já que nessa região existem órgãos, como parte dos intestinos, bem como a região onde se aloja o pênis. Há, inclusive, diversos laudos comprovando os maus-tratos aos animais submetidos à utilização do sedém, desmistificando o dito por aqueles que são favoráveis aos rodeios, de que o sedém provoca apenas cócegas. Aliás, mesmo que considerássemos que o sedém cause apenas cócegas, devemos ressaltar a definição de cócegas como sendo “uma sensação particular, irritante, que provoca movimentos espasmódicos”. Portanto, mesmo que apenas as cócegas fossem causadas, por si só já caracterizam os maus-tratos.

Sedém sendo puxado.

Sedém sendo puxado.

Importante também dizermos que sedém macio, como o trazido no bojo da Lei nº 10.519/02, que dispõe sobre a promoção e a fiscalização da defesa sanitária animal quando da realização de rodeio e dá outras providências, não evita o sofrimento dos animais, já que a região onde são colocados são extremamente sensíveis, e, portanto, inócua essa tentativa de minimização dos efeitos de danos que os sedéns causam aos animais. Finalmente, lembremos que diferentemente do que dizem, não é durante apenas os 8 segundos de montaria que o sedém é comprimido no animal. Oito segundos é o tempo que o peão deve permanecer no dorso do animal, porém deve-se lembrar que o sedém e colocado e comprimido tempos antes do animal ser colocado na arena (ainda no brete). Além disso, há declarações de peões de que treinam de 6 a 8 horas diárias, portanto, todo este tempo o animal estará sendo maltratado.
O sedém é usado nas seguintes provas: montaria em touros, bareback, sela americana e cutiano.

Esporas

Ferimentos causados por esporas.

Ferimentos causados por esporas.

As esporas são objetos pontiagudos ou não, acoplados às botas dos competidores, servindo para golpear o animal na cabeça, pescoço e baixo-ventre. Sem fundamento o argumento de que as esporas rombas (não pontiagudas) não causam danos físicos nos animais, pois visa-se golpear o animal e, portanto, com ou sem pontas, as esporas machucam o animal, normalmente provocando cortes na região cutânea e perfuração no globo ocular. As esporas são usadas nas seguintes provas: Montaria em touros, bareback, sela americana e cutiano.

 


Corda americana

cordaamericana-300x199Consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo do animal, logo atrás da axila.  A corda americana é usada nas montarias em touros. A forte pressão que este instrumento exerce no animal acaba causando-lhe ferimentos e muita dor também.

 

 

 

Polacos (sinos)
polacosNa corda americana são colocados sinos, os quais produzem um barulho altamente irritante ao animal, o qual fica ainda mais intenso a cada pulo seu.

 

 

Choques elétricos e mecânicos

Ferimento causado por bastão de choque.

Ferimento causado por bastão de choque.

Aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena. Os choques são usadas nas seguintes provas: Montaria em touros, bareback, sela americana e cutiano.

 

 

 

 

Descorna
Descorna 2Os chifres dos bovídeos são “aparados” com a utilização de um serrote, sem anestésico, e causando sangramentos e dor aos animais.

 

 

 

 

 

Barrigueira
Pode causar ferimentos ao cavalo.

A barrigueira é usada nas seguintes modalidades: cutiano e sela americana.

Ferimento causado por barrigueira.

Ferimento causado por barrigueira.

Sela
Restringe o fluxo sanguíneo do cavalo.
A sela é usada nas seguintes modalidades: cutiano e sela americana.

Montaria em touros 3Nas provas de montaria em touros e em cavalos (bareback, sela americana e cutiano) os animais são agredidos nos bretes antes de entrar na arena para que fiquem agressivos e pulem mais. Eles são agredidos com socos, chutes, paus, pregos, tapas, provocações e choques elétricos.

 

 

 


Bareback, sela americana e cutiano

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Nestes evento os peões tentam ficar em um cavalo corcoveando por pelo menos oito segundos segurando apenas com uma mão. A diferença entre estas modalidades são: no bareback usa-se um equipamento que consiste em uma alça de couro que é colocada na altura da cernelha do animal e o peão monta diretamente sobre o dorso do cavalo. Na sela americana o peão segura em um cabo de cabresto e usa-se uma sela sem pito. No Cutiano o competidor segura em uma rédea e usa-se um arreio no formato de um “v” ao contrário.

Sedém sendo puxado.

Sedém sendo puxado.

Nas três modalidades um sedém é puxado firmemente em torno da região da virilha do cavalo, causando extremo desconforto que faz com que o cavalo corcoveie, tentando escapar do tormento. No primeiro pulo uma vez fora do brete, os peõs devem “marcar” o cavalo – ambas as esporas devem tocar o cavalo na frente dos ombros, o cavalo continua levando esporadas enquanto durar a prova. À medida que os cavalos pulam, os peões rolam as esporas até os ombros dos cavalos. Tanto a batida das esporas quando o ato de rolar elas até os ombros causa dor e lesões nos cavalos.

Os cavalos aterrorizados e estressados às vezes colidem com barreiras e correm o risco de quebrarem as patas ou a coluna conforme eles lutam em pânico para libertar-se do peão.

Cavalo que morreu durante prova de sela americana no rodeio de Cheyenne.

Cavalo que morreu durante prova de sela americana no rodeio de Cheyenne.

Montaria em touros

Montaria em touros BarretosUm sedém é puxado firmemente em torno da região da virilha do touro, causando extremo desconforto que faz com que o touro corcoveie, tentando escapar do tormento. O peão segura a corda americana com apenas uma mão, e dando esporadas no touro tenta ficar 8 segundos em cima do touro. As esporadas causam dor e lesões aos touros. Os touros aterrorizados e estressados correm o risco de quebrarem as patas ou a coluna conforme eles lutam em pânico para libertar-se do peão.

Montaria em carneiros

Montaria carneiroCrianças montam em carneiros e tentam ficar o máximo de tempo possível em cima deles. A prova além de causar sofrimento psicológico aos carneiros que correm desesperados tentando derrubar as crianças, ainda ensina crianças a desrespeitarem animais e as coloca em risco de sofrerem lesões quando elas caem.

 

 

 

O fim da trilha

Montaria em touros 6O médico veterinário Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne, trabalhou em matadouros e viu vários animais descartados de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como “tão machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi de 2 a3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de bezerros.”

Conforme o Dr. Harber documentou,os circuitos de rodeio são apenas um desvio na estrada dos matadouros.

Touro levando socos no rodeio de Barretos.

Touro levando socos no rodeio de Barretos.

Aqueles que não são vendidos para matadouros são explorados como reprodutores e têm suas vidas encurtadas devido ao fato da vida de animais reprodutores sem estressante devido ao confinamento, ao transporte para outras propriedades, cios e gravidez constantes devido ao fato dos filhotes serem retirados antes de desmamar para serem amamentados por outras fêmeas, ou em alguns casos o embrião é retirado do útero para ser colocado no útero de outra fêmea, e também devido ao fato de alguns criadores usarem hormônios e luz artificial para controlar o cio das fêmeas, a reprodução é forçada se amarrando as patas das fêmeas para não rejeitarem os machos e também em alguns casos através de inseminação artificial.

Fontes:
safe.org.nz/rodeo-events
http://www.animalsaustralia.org/issues/rodeos.php
http://www.care2.com/greenliving/mutton-busting-child-and-sheep-abuse.html
The horse crucified and risen de Alexander Nevzorov: http://www.livrariacultura.com.br/p/horse-crucified-and-risen-30677162
Obs: Alexander Nevzorov aparece montando um cavalo na capa do livro pois a foto foi tirada na época ele ainda não sabia que isto causava danos aos cavalos, quando começou a fazer pesquisas Nevzorov primeiramente ficou sabendo dos danos que os freios causam e por isso começou a montar sem freios ao saber que mesmo sem freios os cavalos ainda sofrem danos ao serem montados ele parou de montar. Nevzorov não treina mais cavalos em sua escola ao invés disso ele e sua esposa agora ensinam anatomia, fisiologia e como cuidar de cavalos e ter uma covivência harmoniosa com eles, Nevzorov não é mais a favor de reproduzir cavalos em cativeiro, ele acredita que a geração atual de cavalos devem ter vidas tranquilas e protegidas e que as próximas gerações de cavalos selvagens nascida deve continuar a viver como a natureza pretende. (Fontes: http://ourhorsescommunity.blogspot.com.br/2012/03/update-from-nevzorovs.html
http://www.haute-ecole.ru/school/lofiversion/index.php/t15202.html)
http://www.wolnekonie.org/science_en_wroblewski.html
http://www.ethicalmagazine.org/el-caballo-tan-sensible-como-aparenta-por-maria-gonzalez-sola/
http://ourhorses.org/horse-training/horses-may-feel-more-pain-than-humans/

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